O VENDEDOR DE AGULHAS

de Daniel Farias


há uma dor fria
que atravessa a fina lâmina
do vendedor de agulhas.

há uma metálica metáfora
que corta a tarde cinzenta,
entre surdinas e sirenes ocultas,
do desconhecido e invisível
vendedor de agulhas.

há um silêncio de ferro
nos rostos, nas almas
e nas calçadas por onde passa
o vendedor de suplicantes agulhas.


há um único fio que prende e conduz
o homem que passa, sem ser visto,
a outros homens que carregam
nos bolsos descosturados uma
dor que perfura a alma e denuncia
aquilo que se perdeu...

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