Diferenças

Hugo de Souza Vieira
Homenagem a Marilda Confortin
Publicado originalmente em: Prosa de um homem da capital  

Hugo e eu, no Uruguai

Elas são vaidosas. Antes do encontro, tomam banho, se perfumam, hidratam o cabelo ou até mesmo vão ao cabeleireiro enfrentar horas de escova, chapinhas e papel alumínio; conversam muito e anotam os segredos de beleza da colegas, escolhem a cor do esmalte, mas não antes de tirar a cutícula, importante não esquecer de combinar o esmalte com a roupa. Aliás, a roupa. O que vestir? Há uma roupa para cada ocasião, para a noite, para o dia, para o namorado novo, o de duas semanas, para o noivo, para o suposto jantar de negócios e até para a conquista de um novo namorado. E deita-se o guarda-roupa na cama e apesar das dezenas de vestidos, calças e camisetas, nenhuma parece cair bem.

Mas a salvação alcança a quem tem fé, uma amiga chega na hora da indecisão e resolve o problema em minutos, afinal uma verdadeira amiga, entende a aflição da outra. Esta amiga volta a sua casa e trás a roupa tão procurada. Ela põe a roupa e se sente realizada, mas ainda faltam os sapatos; parece fácil, afinal é só combinar as cores, hum...não é bem assim, os sapatos também tem ocasião para se usar, sapatos discretos, de salto alto, tamancos, sandálias, mais com a amiga para aprovar, tudo fica mais fácil e ela sai vitoriosa para o seu encontro.

Eles nem tanto. Dez minutos antes do encontro botam um tênis, uma camiseta, uma calça jeans sem pensar muito se está bonito ou não, passam um desodorante, afinal, mulheres não gostam de homens fedorentos. Olham no espelho, o cabelo parece bom, chega o amigo e algumas palavras são trocadas.

- E aí?

- Como é que vai?

- Encontro?

- Pois é?

- Então volto outra hora.

- Falou!

Ela com toda a produção chega ao restaurante e ele já está lá sentado, ela o cumprimenta com um beijo no rosto:

- Como você demorou! – comenta ele.

- É que minha amiga chegou na hora que eu estava saindo. Há quanto tempo está aqui?

- Uns quinze minutos.

Ele nem nota a produção dela e ela pensa:

"- Estes homens... só falta agora pedir para dividir a conta."

Hugo de Souza Vieira

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Hugo era meu companheiro de viagens e bar. Dizia que não entendia poesia. Que não via nada de especial numa noite enluarada. Fingia ser frio, prático e nada romantico. Me deu uma bolsa vermelha, escandalosa de aniversário. Um dia, ou melhor, uma noite dessas de poesiareada num bar chamado Vacacherri, deixei-o sozinho na mesa com uma professora chamada Fátima. Em menos de um ano estavam casados e com uma filha linda chamada Katherin. Perdi o companhieiro de viagens e das noitadas, mas ganhei uma amiga e uma sobrinha. Sejam felizes, queridos.
Hugo, Fátima e filha. É só alegria.
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