La Mer - de Tonicato Pereira

La Mer 
para Jairo Pereira e Achille Claude Debussy

choro neste dia claro estas incontidas marinhas lágrimas
na ponta da pedra debruço-me em minhas vagas de mágoas
depois vou até os píncaros deste incandescente azul celeste
junto-me ao vôo do gavião e ao seu prestigioso bico agreste

Debussy e seus timbres marolam águas, marés indo e vindo
é La Mer no alto de mim, o céu daqui é este precipício lindo
vontade de me jogar céu abaixo, mar adentro, no olhar da raposa
para brilhar na água com o pó de ouro do poema de Cruz e Souza

mas não, Oh! Grilhões, por que me apertam como a um parafuso
meus pés presos ao chão estão, minha cara presa ao horário fuso
sou apenas a inveja dos pássaros no céu, das baleias no mar
dos acordes do músico a dedilhar notas em mim, soltas a farfalhar

preciso doar o ruído do vento ou a planície a quem passar manso
aquele que pingar sobre mim o amor ou a morte como descanso
preciso partir meu corpo em milhentos pedaços doando-o à minhoca
dá-me o penúltimo sorriso da flauta, para ir feliz a minha última toca

Curitiba, 25/08/2010
Tonicato Miranda
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