LUA CAOLHA

Meus primeiros Poetrix. Livro publicado em 2008. Aqui, leia gratuitamente.

Dia da mulher

 8 de março


Boa ou má,
bela ou fera,
fértil ou estéril,
jovem ou anciã:
mulher,
é
mulher
todos os dias,
e não fêmea efêmera
de um (c)oito de março qualquer.

(marilda confortin)

Entrevista Portal Cultura Alternativa


Quero apresentar aos leitores deste blog, o Portal Cultura Alternativa. Um espaço que fala de quase tudo, principalmente de cultura.

Podem começar lendo uma entrevista que dei ao jornalista Anand Rao, falando um pouco sobre essa minha caminhada pela estrada das letras.

Se gostarem, deixem lá um recadinho. Faz bem para o Portal e massageia minha alma também.

Para ler a entrevista, clique sobre a imagem




Música nova


Tem música nova no pedaço. É uma parceria minha com a Ana Sonia Barros, compositora e intérprete. Está gravada no CD "REVOADA", já a venda nas lojas de disco. Confiram o vídeo:




il dolce far niente

Atendendo a pedidos de colegas que estão para se aposentar e gostaram das minhas quadrinhas definindo o que é o Il dolce far niente, que li no dia da premiação do II Concurso de Poesias RH Criativo, posto aqui na íntegra. A imagem, é um quadrinho que minha filha pintou e pendurou na minha varanda. Pratiquem, amigos!


IL DOLCE FAR NIENTE
(Marilda Confortin)

O “dolce far niente” é uma arte. Exige disciplina, concentração. Há coisinhas a fazer por toda a parte. É difícil resistir a tentação.

Imagine perder o momento exato do beija-flor pousando no hibisco, só porque você foi lavar um prato ou varrer meia dúzia de ciscos.

Cultivar a prória cebola, salsa, alho, flores, verduras, manjericão...pensa que não dá trabalho? Olhe os calos nas minhas mãos!

Pastorear nuvens que pastam sobre o mar não é pra qualquer Pessoa. Elas dispersam, num piscar. Basta um ventinho à toa.

Não é fácil liberar o pensamento para que voe livre como gaivota. Nem resgatá-lo do mar turbulento quando ele foje explorando nova rota.

Diminuir o peso dos fardos, aumentar a leveza da mente
Adoçar os momentos amargos, é a dieta do dolce far niente.

Encontrar significado nas insignificancias, como Manuel de Barros sempre fez. Resgatar a curiosidade da infância e o olhar de supresa da primeira vez.

Contar as estrelas noite afora, ouvir o que o silêncio tem a dizer, descobrir com quem a lua namora e onde se esconde ao amanhecer.

Ver a aurora deslizando pelo muro, invadindo a casa, sorrateiramente, varrendo todos os cantos escuros, como uma faxineira competente.

Fazer um jantar elaborado num dia qualquer, à esmo. Não para agradar o namorado, mas para agradar a si mesmo.

Ler todo o dicionário impresso só para encontrar uma boa rima e depois, incubar o verso pra ver se nasce uma obra prima.

Ler um autor desconhecido, ver um filme sem indicações, conversar com  um velho amigo sem segundas intenções.

O ponto do dulce far niente é muito difícil de acertar. Depende de cada ingrediente que durante a vida você cultivar.

Saber apreciar esse nepente não é privilégio da aposentadoria. Não se aprende assim, de repente. Há que se praticar um pouco a cada dia. 




Premio "Marilda Confortin" de poesia

Pois é... virei prêmio. Isso não acontece frequentemente com poetas vivos. Cheguei a desconfiar que estava morta e não sabia rsrsrsrs. Mas a verdade é que quase morri de emoção três vezes: Ao saber o nome do prêmio do II Concurso TH Criativo, da prefeitura de Curitiba; ao ler os 200 poemas inscritos e ao entregar o troféu aos classificados. Tudo muito emocionante. Haja coração.

Posto abaixo algumas fotos da premiação.

Troféu aos classificados

Comissão julgadora


agradecendo as homenagens no Salão Nobre da Prefeitura de Curitiba

Exposição dos 20 poemas selecionados que serão publicados

Poetas ganhadores do concurso e autoridades municipais

Jantar com roda de viola e poesia
Artista Fulvio Pacheco, grafitando-me.

Diário de uma leitura


DIÁRIO DE LEITURA DO LIVRO “A ESTÉTICA MÁXIMA”, DE FAUSTO DOS SANTOS

Iniciei a leitura desse livro às vésperas de uma longa viagem para o México. Estava participando pela segunda vez, como representante brasileira, da  XX edição do Encuentro Internacional de Mujeres Poetas em ele País de las  Nubes, a convite de Emilio Fuego, o organizador desse intercâmbio entre poetas de todos os continentes. Eu sabia que seria a ultima vez que o veria.  Emílio faleceu pouco tempo depois, vítima de um câncer que o consumia. 

Escolhi com livro de bordo “A Estética Máxima”, do curitibano Fausto dos Santos, porque era o mais fininho dos seus livros. Pensei que fosse fácil. Ledo engano. 
Não, não é um livro de estética facial, emagrecimento, rejuvenescimento nem decoração de ambientes. Fala de Estética no sentido filosófico. Aquilo que se pode aprender pelos sentidos. Fausto é filosofo e poeta.  E vice-versa. E vide versos. E o bicho pegou...

Dia anterior - Arrumando as malas

“da coisa sentida, para o sentido da coisa” – Fausto dos Santos

O carinho do vento excita as palhas da palmeira. Ela bate insistentemente na janela do meu quarto.
Uma pomba rola fez o ninho entre as bainhas das folhas. Os espinhos protegem dois ovinhos. Coincidência...  Está chocando.

Ele abriu uma clareira entre os espinhos,
aninhou-se em meu colo de ouriço,
fecundou-me e partiu. 
Chocou-nos.

Não posso ler esse livro agora! Tudo faz sentido! Tenho que me concentrar na viagem. Viajo amanhã. Vou levar o livro do Fausto para ler no avião. Espero que a rolinha fique bem e meus filhos também.

Insônia. Preciso estar no aeroporto às cinco da madrugada. Já passam das duas e não consigo dormir.

“Aquilo que não nasce conosco é o que de nós permanece” – Fausto dos Santos

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